Produtores de café aproveitam alta no preço para diminuir prejuízo da seca

Lavouras de café de Minas Gerais sofreram muito com a estiagem.
Com a produção em queda, os preços subiram.

As lavouras de café de Minas Gerais sofreram muito com a estiagem. Com a produção em queda, os preços subiram, mas nem todos os produtores se beneficiaram dessa alta. Em Três Pontas, no sul de Minas, a lavoura de café arábica ocupa uma área de 300 hectares na fazenda do agricultor Guilherme Vilela Miranda.
Ele conta que em 2013 colheu onze mil sacas. Este ano, menos de oito mil. Isso é reflexo da seca que fez a produção cair cerca de 20% na região que mais cultiva essa variedade no país. Com a oferta em baixa, os preços sobem. Desde janeiro, o café teve uma valorização em torno de 74%. Em janeiro, a saca estava cotada, em média, a R$ 276. Agora, está perto de R$ 480.
Apesar dos preços melhores, o cafeicultor reclama dos custos de produção. “Eu tive que melhorar o custo de produção, mecanizar mais e ter outra maneira pra ver se tenho lucro”, diz. Ele vendeu parte da safra em setembro, quando recebeu em torno de R$ 450 a saca. O restante está conseguindo estocar a espera de preços ainda melhores.
A história dele é bem diferente de outros agricultores, que têm produção pequena e tiveram que vender logo, como Guido Reguim Filho. Nas lavouras dele, em Varginha, a produção média dos 15 hectares plantados caiu de 500, 600 sacas para 230 este ano. Para poder honrar com os compromissos, ele não pode esperar. Teve que vender toda a safra logo após a colheita, já no fim de agosto.
“Vendi minha saca em torno de R$ 370. Eu não esperei porque meus compromissos chegaram. Os compromissos de insumos, de combustível, compromissos da própria casa. Então, como eu vivo da monocultura do café, chegou a hora de saldar os compromissos”.
A safra menor e a necessidade dos produtores de vender logo refletiram também no volume estocado nas cooperativas da região. Em Varginha, a cooperativa recebeu 40% menos do que no ano passado e só tem conseguido manter as vendas regulares graças ao estoque que sobrou de 2013.
“Nós passamos com estoque alto. Nós passamos com mais de um milhão de sacas de um ano para o outro. Isso ajudou realmente o produtor a ter uma renda melhor, porque ele conseguiu vender café a preços melhores do que estava em 2013”, explica o presidente da cooperativa Osvaldo Henrique Paiva Ribeiro.
Segundo o levantamento da Conab, o país colheu 32 milhões de sacas de café arábica este ano – 16% a menos do que em 2013, que já foi um ano de safra curta (Globo Rural, 7/12/14)