Com seca, safra de café deve ser 30% menor

Estimativa é que apenas 1,3 milhão de sacas sejam colhidas neste ano, ante a produção de 2 milhões em 2014. Na região de Franca, na área da Alta Mogiana, chuva deste mês é 94% menor do que a média histórica.
Com a falta de chuva, produtores de café da região da Alta Mogiana, que abrange 23 cidades paulistas e mineiras, já preveem uma safra no mínimo 30% menor neste ano em relação ao anterior.
Nesta época, o café está em fase de formação dos grãos, mas, por causa do clima seco, eles não estão se desenvolvendo o suficiente.
Na região de Franca, por exemplo, choveu apenas 17 milímetros desde o começo do mês, um recuo de 94% da média histórica, segundo dados da Defesa Civil.
"Apenas 10% das lavouras da região têm sistema de irrigação", afirma o engenheiro agrônomo Eder Carvalho Sandy, da ASMC (Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana).
Na safra passada, produtores perderam, em média, 30% da produção.
No total, foram colhidos 2 milhões de sacas em 55 mil hectares de toda a região. A estimativa para este ano é ainda menor: 1,3 milhão.
"Se o clima se agravar, teremos um problema na oferta", diz Jandir da Cruz Castro Filho, gerente comercial da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas).
Com a seca, há a probabilidade de que a colheita seja antecipada de junho para maio, o que prejudicaria ainda mais o desenvolvimento dos grãos, segundo ele.
A falta de chuvas também afeta lavouras de outras regiões do Estado, como Bragança Paulista, que soma 95 propriedades.
Em Socorro, produtores temem uma perda de até 40%, da safra, valor semelhante ao do ano passado.
"A tendência é os produtores aderirem ao sistema de irrigação e fazerem um melhor manejo do solo", disse Rodrigo Binoti, chefe da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) do município.
A estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) é de que a produção nacional de café deste ano fique entre 45 milhões e 47 milhões de sacas --a safra de 2014 fechou em 45,34 milhões de sacas.
No entanto, segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercados, a previsão da Conab foi baseada nas chuvas de dezembro.
A incerteza produtiva fez com que as cotações do café tivessem alta no mercado de Nova York --como consequência, os preços no mercado interno voltaram a subir.
Na terça (13), o indicador Cepea, da Esalq/USP, do café tipo arábica, estava cotado em R$ 490,92 a saca, em uma alta de 3,8% em cinco dias (Folha de S.Paulo, 15/1/15)