Fazendeiros compram mais fertilizantes por alta do real

As importações de fertilizante do Brasil estão subindo a níveis recordes, pois os fazendeiros estão aproveitando os preços mais baixos e o maior ganho entre as moedas de mercados emergentes para aumentar os estoques do nutriente antes da plantação de soja.
Nos primeiros cinco meses do ano, navios descarregaram cerca de 8,8 milhões de toneladas dos compostos com base em nitrogênio, fósforo e potássio usados para nutrir plantas, 10 por cento a mais do que há um ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O valor total pago pelos importadores caiu 16 por cento para US$ 2,9 bilhões no mesmo período, pois os preços baixaram 23 por cento para uma média de US$ 324 por tonelada.
O Brasil, que importa cerca de dois terços do fertilizante que necessita, está se beneficiando com os preços internacionais mais baixos resultantes de aumentos na oferta nos EUA, no Marrocos, na China e na Rússia, ao passo que uma demanda forte mantém elevados os preços da soja, disse Lair Hanzen, diretor da unidade brasileira da Yara International ASA, com sede em Oslo, que vende aproximadamente de 25 por cento dos fertilizantes usados no Brasil.
“Os termos do comércio melhoraram”, disse Hanzen, em entrevista por telefone de Porto Alegre.
“Os fazendeiros estão gastando menos sacos de soja para comprar a mesma quantidade de fertilizante, portanto eles estão adiantando as compras para cobrir o custo de produção”.
Após despencar 13 por cento frente ao dólar no ano passado, o real brasileiro teve o melhor desempenho entre as moedas dos principais mercados emergentes neste ano, com um ganho de 4,4 por cento.
A fortaleza da moeda local e a perspectiva dos preços internacionais estão estimulando uma maior quantidade de produtores brasileiros de soja a recorrer ao mercado de fertilizantes antes do previsto, disse o ministro da Agricultura Neri Geller, em entrevista desta semana.
Impulsionados pela soja
Em média, os fazendeiros estão gastando menos de 20 sacas de 60 quilos de soja por tonelada de fertilizante, frente a 22 sacas nos anos anteriores, de acordo com Hanzen.
A indústria da soja, que consome cerca de um terço dos fertilizantes usados no Brasil, está liderando o crescimento das vendas neste ano, disse David Roquetti Filho, diretor da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).
Espera-se que os fazendeiros brasileiros expandam a área cultivada com soja pelo menos 4 por cento na temporada de plantação que começa em setembro, a um recorde de 31,2 milhões de hectares, disse André Pessoa, diretor da empresa de prognósticos de safras Agroconsult, em um evento ocorrido em São Paulo no mês passado.
“Os produtores estão realmente investindo porque eles têm fundos das vendas”, disse o ministro Geller. “Colheremos mais de 200 milhões de toneladas de grãos na próxima temporada de safra, frente a 194 milhões nesta temporada, e a maioria do crescimento virá da soja”.
Alta dos preços
A soja que será entregue em março, quando os fazendeiros brasileiros colherem a próxima safra, subiu 6,8 por cento em Chicago neste ano depois que uma seca no sul do Brasil e precipitações excessivas no estado do Mato Grosso, no centro-oeste do País, reduziram a safra de 2014.
Uma baixa recorde nos estoques dos EUA também ajudaram a impulsionar os preços.
Os preços dos compostos de nitrogênio, fósforo e potássio usados como fertilizantes, conhecidos como NPK, caíram 8,5 por cento nos últimos 12 meses na América do Norte.
Os preços do nitrogênio estão sentindo a pressão de uma maior oferta para exportação da China e de novas usinas nos EUA.
Os fosfatos enfrentam a crescente oferta da usina da Saudi Arabian Mining na Arábia Saudita, disse Jason Miner, analista de químicos da Bloomberg Industries.
Os preços do milho, que despencaram 18 por cento nos últimos 12 meses, também ajudaram a diminuir os preços do fertilizante pelo lado da demanda.
“O milho americano emprega intensivamente produtos fertilizantes com margens maiores”, disse Miner por e-mail.