Fiec instala Museu da Indústria em prédio histórico no Centro

A porta do casarão aberta para o Centro de Fortaleza abre espaço para a curiosidade. Quem sabe do que se trata pergunta quando é a inauguração; quem não está informado quer saber o que passa a funcionar ali. Fato é que o burburinho no prédio imponente, de dois andares e 2 mil m², na esquina das ruas Dr. João Moreira e Floriano Peixoto, chama atenção. Amanhã - nove anos após o início das obras de restauro – o espaço reabre, dando abrigo ao Museu da Indústria, projeto da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), por meio do Serviço Social da Indústria (Sesi).

A edificação data de 1871, em pleno período imperial. Era a sede da Sociedade União Cearense, o primeiro clube social da capital. Localizado em frente ao Passeio Público e avizinhado de prédios históricos como a Santa Casa de Misericórdia e a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, o casarão se incrustou na memória do cearense em diferentes momentos. De acordo com Luis Carlos Sabadia, gestor do Museu da Indústria, o espaço abrigou o Grande Hotel do Norte, no final do século XIX, onde foi instalada a primeira sorveteria do Ceará. Entre 1895 e 1935, abrigou a sede dos Correios, sendo repassado em seguida para The Ceará Tramway Light & Power Co. Ltda., empresa inglesa que controlava os serviços de energia elétrica e bondinhos de Fortaleza.

Abandonado, parte da estrutura interna do prédio desabou em 1991. Quatro anos depois, o Governo do Estado concluiu o processo de tombamento, reconhecendo seu valor histórico e arquitetônico. Ainda assim, apenas em 2005 teria início o restauro realizado pela Fiec com apoio de leis de incentivo. Obra concluída, o prédio permaneceu fechado até agora – com um único período aberto, para receber a Casa Cor de 2007 – mostra anual de arquitetura e decoração.

Luis Carlos Sabadia explica que o museu reabre sem uma “exposição permanente”. Passam a funcionar três espaços: uma lojinha de suvenires, um restaurante e uma “exposição de longa duração”, retifica. A diferenciação serve a um propósito. De acordo com Patrícia Xavier, coordenadora pedagógica do museu, o equipamento receberá grupos curatoriais que poderão contribuir com a modificação e expansão da mostra.

Sabadia apresenta o longo espaço iniciando pelo que chama de “sala de descompressão”, uma série de seis telões em que são exibidos pequenas prévias da linha histórica da indústria. Da descompressão, o guia leva o grupo por um passeio que toma reflexões e memórias afetivas do visitante como ponto de partida. “Cada via que você dobra na linha histórica, você encontra milhões de histórias. Aqui não é um museu do industrial, mas do operário, das plantas industriais, da tecnologia”, ressalta o gestor. Ao final da linha histórica, a exposição chega a um grupo de quatro telões “virados” para o futuro da indústria.