Na contramão do país, PIB do agronegócio paulista pode esboçar reação

O PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio paulista, com queda de 1,3% ao ano desde 2010, caminha na contramão do dos demais Estados. O agronegócio brasileiro teve crescimento de 2,1% por ano nesse período.
A partir do próximo ano, no entanto, essa queda deve ser estancada e o setor poderá esboçar alguma reação.
A avaliação é de Antonio Carlos Costa, gerente do departamento de agronegócio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Para essa análise, ele se baseia em esperadas mudanças em itens importantes para o agronegócio paulista, como a cana-de-açúcar.
Já o PIB do agronegócio nacional poderá interromper o período de crescimento devido às condições menos favoráveis do mercado externo.
"Mesmo sendo um Estado com alto grau de industrialização, São Paulo tem no agronegócio um setor bastante expressivo", diz Geraldo Barros, coordenador de pesquisas macroeconômicas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
O Cepea, com o apoio da Fiesp, fez um levantamento do setor e estimou o PIB do agronegócio paulista do ano passado em R$ 213 bilhões.
Ao atingir esse valor, o PIB do agronegócio paulista representa cerca de 20% do PIB do agronegócio brasileiro e 15% do PIB total paulista.
Os dados mostraram que a agroindústria é responsável por 41% do PIB do agronegócio do Estado. O percentual é inferior aos 43% do segmento de serviços, mas superior aos 10% do da agropecuária e dos 6% do de insumos.
Daí a preocupação da indústria com o agronegócio. Entender esses números ajuda a compreender o que vai acontecer também com o PIB do Estado, diz Costa.
Ele cita o exemplo do setor sucroalcooleiro, que representa 58% do PIB agrícola e 27% do da agroindústria.
Esse foi um dos setores responsáveis pela desaceleração do PIB do agronegócio paulista, mas poderá ter novo ânimo, devido à possibilidade de um reajuste da gasolina e da recomposição dos estoques mundiais de açúcar.
Barros destaca que a vantagem comparativa de São Paulo faz com que o agronegócio tenha uma predominância dos segmentos agroindustrial e de serviços.
A participação de apenas 10% do segmento da agropecuária no PIB paulista faz com que São Paulo processe e movimente um volume significativo de matérias-primas oriundas de outros Estados.
O PIB da agropecuária paulista (atividades dentro da porteira) atinge só 5,4% do PIB desse segmento no Brasil. Mas o PIB da agroindústria paulista representa 30% do PIB nacional do setor.
A agroindústria de São Paulo é liderada pela base agrícola, cuja participação é de 88,1% nesse segmento. Já a participação da base animal é de 11,9%, segundo Barros.
Nesse conjunto --bases agrícolas e animal--, a liderança fica com a indústria sucroalcooleira, que representa um quarto do PIB agroindustrial do Estado. Já bebidas e celulose e papel têm 12,4% e 12,3%, respectivamente.
No segmento de serviços, os destaques ficam para as atividades comerciais e financeiras, ambas com 20,5% do PIB desse segmento (Folha de S.Paulo, 4/10/14)